Juros em queda e inflação controlada: o que esperar do mercado imobiliário a partir de agora?
Os dados mais recentes divulgados pelo Banco Central, por meio do Relatório Focus, ajudam a entender não apenas a economia brasileira — mas principalmente o que deve acontecer com o mercado imobiliário nos próximos meses.
As projeções indicam inflação próxima de 3,9% ao ano, crescimento econômico moderado (PIB em torno de 1,8%), dólar relativamente estável e, sobretudo, um movimento importante: a queda gradual da taxa Selic, prevista para cerca de 10,5% ao ano.
Pode parecer distante da realidade do dia a dia, mas, na prática, essas informações impactam diretamente a decisão de quem pretende comprar, alugar ou investir em imóveis.
O que esses números realmente significam
O cenário desenhado pelo Banco Central é de estabilidade econômica.
Não se trata de um período de crescimento acelerado, mas também não é um ambiente de crise.
Isso é particularmente relevante para o setor imobiliário, porque, ao contrário de outros mercados, imóveis não dependem necessariamente de expansão econômica forte para se movimentar. O principal fator para a retomada do setor é o custo do crédito — e ele está começando a cair.
A taxa Selic funciona como referência para todas as demais taxas de juros do país, especialmente o financiamento imobiliário. Quando ela reduz, os bancos tendem a baixar gradualmente as taxas de financiamento, diminuindo o valor das parcelas e ampliando o acesso ao crédito. Em outras palavras: mais famílias passam a conseguir comprar.
A retomada não acontece de um dia para o outro
Existe um comportamento histórico muito claro no mercado imobiliário. Entre a queda dos juros e o aumento efetivo das vendas há um intervalo de tempo. O primeiro movimento não é a compra — é a volta do interesse.
As pessoas passam a:
* fazer simulações
* pesquisar bairros
* visitar imóveis
* buscar orientação
Ou seja, antes da negociação, cresce a procura por informação. Esse período costuma durar alguns meses e marca o início de um novo ciclo imobiliário.
Por que a locação deve aquecer primeiro
Um dos efeitos menos percebidos, mas mais consistentes, é que o aquecimento começa pelo aluguel.
Quando as famílias percebem melhora no cenário econômico, elas não compram imediatamente. Primeiro reorganizam a vida financeira. Muitas deixam moradias provisórias, trocam por imóveis melhores e se preparam para uma compra futura. Isso tende a aumentar a procura por locação ao longo de 2026. Para imobiliárias, esse costuma ser o primeiro sinal concreto de retomada.
O retorno do comprador e do investidor
Com a redução gradual dos juros, o financiamento volta a caber no orçamento da classe média. O comprador do primeiro imóvel reaparece e os imóveis de padrão médio voltam a girar.
Ao mesmo tempo, ocorre outro movimento importante: o retorno do investidor. Com a queda da Selic, aplicações de renda fixa passam a render menos. Parte desse capital migra naturalmente para o mercado imobiliário, especialmente para imóveis destinados à locação. Historicamente, esse movimento acontece antes da percepção geral do mercado.
Mais importante que crescimento: previsibilidade
A inflação controlada talvez seja o indicador mais relevante para o setor.
Comprar um imóvel é uma decisão de longo prazo e depende da sensação de estabilidade financeira. Quando as famílias conseguem prever seus gastos futuros, a confiança aumenta — e a decisão de compra se torna possível. Por isso, inflação sob controle costuma beneficiar mais o mercado imobiliário do que um crescimento econômico elevado.
O que esperar daqui para frente
O cenário projetado aponta para uma retomada gradual, não para um boom imediato. O comportamento mais provável é:
* aumento de procura e visitas ao longo de 2026
* fortalecimento da locação no curto prazo
* crescimento consistente das vendas a partir de 2027
Esse tipo de ciclo favorece principalmente empresas e profissionais que atuam de forma consultiva, orientando o cliente antes da decisão. Em momentos como este, o mercado não busca apenas imóveis — busca segurança.
Novo ciclo imobiliário
Os dados do Banco Central indicam o início de um novo ciclo imobiliário no país. A combinação de inflação controlada e queda dos juros cria um ambiente de maior confiança, ainda que a recuperação aconteça gradualmente.
Mais do que um período de vendas imediatas, trata-se de um momento de preparação: aumento do interesse, retorno do investidor e fortalecimento do aluguel.
Historicamente, quem se posiciona agora — orientando, informando e se aproximando do cliente — tende a colher os melhores resultados nos anos seguintes.